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domingo, 12 de agosto de 2012

Serpente emplumada - Iniciação alquímica


Em seu lugar, um lago de fogo se apresentou à minha frente. O enxofre e o betume rolavam suas ondas
inflamadas. Eu tremi. Uma voz trovejante me ordenou atravessar essas chamas. Eu obedeci e as chamas
pareceram ter perdido sua atividade. Por muito tempo caminhei no meio do incêndio. Chegado a um espaço
circular, contemplei o pomposo espetáculo que a bondade do céu se dignou me fazer desfrutar.
Quarenta colunas de fogo decoravam a sala onde eu me encontrava. Um lado das colunas brilhava com
um fogo branco e vivo. O outro permanecia na sombra e uma chama escura o cobria.
No centro desse lugar se elevava um altar em forma de serpente. Um ouro esverdeado enfeitava suas
escamas matizadas, sobre as quais se refletiam as chamas que a cercavam. Seus olhos pareciam rubis. Havia
uma inscrição prateada perto dela. Uma rica espada estava cravada na terra ao lado da serpente. Uma taça
repousava sobre sua cabeça.
Ouvi o coro dos espíritos celestes e uma voz me disse: "o término dos teus trabalhos se aproxima.
Toma a espada e golpeia a serpente." Tirei a espada de sua bainha e me aproximei do altar. Peguei a taça com
uma mão e com a outra desferi um terrível golpe no pescoço da serpente. A espada ricocheteou, o golp e
ressoou como se eu tivesse atingido um sino de bronze. Mal tinha obedecido a voz, quando o altar
desapareceu. As colunas perderam-se na imensidão. O som que eu tinha ouvido ao atingir o altar se repetia
como se mil golpes estivessem sendo desferidos ao mesmo tempo. Uma mão me agarrou pelos cabelos e me
elevou até o teto: este se abriu para me dar passagem. Diferentes fantasmas se apresentaram diante de mim:
as Hidras, as Lamies me cercaram de serpentes. A visão da espada que eu tinha na mão afugentou essa
multidão imunda, como os primeiros raios do dia dissipam os sonhos, frágeis filhos da noite.
Depois de subir numa linha perpendicular através das diferentes camadas que compõem as paredes do
globo, eu revi a luz do dia.

"Conde de Saint Germain"



Sobre um altar formado pelos doze anéis de uma serpente alada, enrolada ao redor de uma lança,
repousa a taça da Eternidade. Essa imagem deriva da serpente cíclica usada com _uita freqüência nos Rituais
de Serapis. Os doze anéis da cobra SIgnificam o ano filosófico e o caminho espiral do sol pelas cOnstelações
zodiacais. Na preparação da Pedra do Sábio, os elementos atravessam doze estágios de ampliação. Em cada
um desses ciclos, o poder da matéria é intensificado, fato sugerido Pelo aumento constante do tamanho das
espirais da serpente. A figura também lembra aquilo que os sábios chamaram de vórtice filosófico - a forma
natural da força anímica no corpo humano
Em Ísis Desvelada, H. P. Blavatsky escreve: "Antes que o nosso globo adquirisse a forma de ovo ou a
forma redonda, era uma longa trilha de poeira cósmica ou vapor de fogo, movendose e revolvendo-se como
uma serpente. Isto, segundo as explicações, era o Espírito de Deus movendo-se no Caos até que seu sopro
incubou a matéria cósmica e a fez adquirir a forma anular (...)." Nos Oráculos Caldeus, o Fogo Universal se
movimenta de forma serpentina. O presente símbolo é a Sabedoria Universal que se move como uma
serpente alada sobre a superfície do caos primitivo - isto é, o corpo não regenerado do neófito. O ritual dos
Mistérios Sabazianos incluía desenhar uma cobra viva no peito do candidato. No desenho, a serpente é
enrolada ao redor da coluna vertebral - a lança - e forma um suporte apropriado para a taça da imortalidade.
Ao lado deste estranho altar está a espada incrustada com pedras preciosas. Quase imperceptíveis sobre
sua bainha estão gravados os antigos símbolos do olho, do coração e da boca, que simbolizam as três pessoas
da Tríade Criativa - vida no coração, luz no olho, respiração na boca. A vida, a luz e a respiração são as
fontes de todas as 'coisas e de sua união no símbolo cruciforme o candidato deve forjar a arma para a sua
proteção contra as trevas elementais. O símbolo do ciclo deve ser vencido pela sabedoria.
Esta é a "espada da decisão rápida" com a qual o neófito oriental deve cortar rente os ramos
serpentiforme da figueira-de-bengala do mundo, o emblema dos ciclos que se auto-renovam e da lei
do renascimento. A serpente é a espiral da evolução. A taça contém o luminoso mar nirvânico no qual a
alma se funde nO final. A espada é a vontade iluminada - a mesma espada que resolve o enigma do Nó
Górdio da vida, cortando-o de um SÓ golpe.
As palavras secretas do painel superior expressam este pensamento. Traduzidas, significam:
"Reverencia este vaso (arca ou taça) da Eternidade. Oferece livremente uma parte de ti mesmo para IA (Iah
ou Jah, Jehovah) e para o canto (ou ângulo) em reconciliação." Isto deriva do simbolismo dos caldeus, que
consideravam a Causa Universal como o Senhor dos Ângulos.
Análise do Texto
O candidato entra no lugar do fogo. Um grande mar de chamas (o mundo astral) se estende em todas as
direções, borbulhando e ardendo numa fúria infernal. O daimon ordena ao candidato que avance. Com a
mente fixa na Realidade, o discípulo obedece e acaba descobrindo que o fogo perdeu seu calor, e caminha
incólume em meio à conflagração. Ele se encontra no Templo do Fogo Sideral, no meio do qual está a forma
verdedourada de uma serpente com olhos de rubi e escamas em forma de figuras geométricas. A natureza do
fogo é claramente revelada, pois é dito que metade dele queima com uma luz vívida enquanto a outra metade
é sombreada e escura. É a serpente da luz astral, que, segundo Eliphas Levi, se enrola ao redor de toda flor
que cresce no jardim de Kama, ou desejo. O yogue, em sua meditação, sabe bem o significado da Casa do
Fogo e a serpente que a guarda. Aqui o candidato descobre o significado do Espírito do Fogo Universal que,
dirigido para baixo, é a raiz de todo o mal, mas se é direcionado para cima, atrai todos os homens para a
sabedoria. O fogo-serpente deve ser vencido. A espada está à mão, e com ela o candidato golpeia os anéis de
bronze. O bronze é o metal composto que simboliza o corpo do homem, antes da filosofia reduzi- lo a seus
elementos simples.
O Senhor do Mundo do Fogo é vencido. Os sentidos são controlados e os apetites estão sob o domínio
férreo da vontade. A raiva, o ódio e o orgulho foram exilados da alma. Os três fogos _a ilusão se
extinguiram. A miragem da luz astral desvanece-se integralmente em meio a uma terrível explosão de som e
cor. O candidato é erguido através dos Arcos do submundo. Ele passa rapidamente pelos monstros que
habitam os limiares do excesso.
A espada cruciforme espalha a maléfica aglomeração das trevas neófito vai subindo, vai subindo,
através das numerosas camadas do globo (as órbitas das estrelas internas), depois de seus três dias (graus) nas
trevas do Hades. A pedra é rolada Para o lado e, finalmente, com uma explosão de glória, ele emerge na luz
do dia - a esfera do ar onde mora a mente que deve Ser
conquistada em seguida.
A filosofia alquímica é evidente. a espaço circular é Um vaso de destilação colocado no meio da
chama da fornalha. A serpente representa os elementos que estão dentro da retorta e o candidato modela
outros elementos que têm o poder de dissolver e corroer a serpente. A subida do candidato através dos muros
do globo significa aqui os vapores que, subindo através do tubo comprido do destilador, escapam do inferno
aquecido abaixo.

o livro pode ser encontrado em 
http://prs.org/wpcms/?page_id=8&category
=1&product_id=124 , o original esta na 
 Bibliotheque de Troyes in France.


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