Mecanismo de Antikythera
O mecanismo de Antikythera - Objeto com engrenagens formadas por um sistema de rodas dentadas, construído há mais de 2 000 anos, é descoberto no mar Mediterrâneo, pode ser o mecanismo mais antigo criado pelo homem. O funcionamento da máquina ancestral é alvo das especulações da comunidade científica desde sua descoberta, em 1900.
A máquina de Antikythera, não descrita em nenhuma fonte sobrevivente, revela que o nosso conhecimento de tecnologia antiga é incompleto. Acredita-se tratar-se de um antigo mecanismo para auxílio à navegação.
O mecanismo original está exposto na coleção de bronze do Museu Nacional de Arqueologia de Atenas, acompanhado de uma réplica. Outra réplica está exposta no Museu Americano do Computador em Bozeman, Montana.
Os restos do artefato foram resgatados por mergulhadores em 1900, juntamente com várias estátuas e outros objetos, à profundidade de aproximadamente 43 metros na costa da ilha grega de Antikythera, entre a ilha de Kithera e Creta. Poderíamos datar mais razoavelmente o naufrágio como mais próximo a 65 A.C. +/-15 anos. Além disso, uma vez que os objetos identificáveis vêm de Rodes e Cos, parece que o navio pode ter estado navegando destas ilhas para Roma, talvez sem passar pelo continente grego.
O artefato podia realizar cálculos de astronomia e determinar a posição dos planetas desde o século I a.C., data que se estima para a sua construção. Os cientistas concordaram que se trata de uma evolução do planetário construído por Arquimedes.
Em 17 de maio de 1902 o aruqéologo Spyridon Stais notou que uma das peças de pedra possuía uma roda de engrenagem. Daí em diante, tornou-se um dos mistérios mais enigmáticos da História da Ciência.
Derek J. de Solla Price, historiador científico na Universidade de Yale, afirmou na ocasião que o aparelho teria sido construído por um astrônomo grego, Geminus de Rhodes, mas a sua conclusão não foi aceita pelos especialistas à época, que acreditavam que os antigos gregos tinham o conhecimento para tal máquina, mas não a habilidade prática necessária para construí-la.
A partir de setembro de 2005, a companhia americana de computadores Hewlett-Packard contribuiu na pesquisa com um sistema de reprodução de imagens que facilitou a leitura de textos, que haviam se tornado ininteligíveis devido à passagem do tempo.
Em dezembro de 2006, o astrônomo grego Xenofondas Musas, diretor do departamento de Física e Astronomia da Universidade de Atenas, anunciou durante a sua apresentação, em Atenas, que cientistas gregos e estrangeiros haviam decifrado o enigma sobre a relíquia de Antikythera. Chegou-se à conclusão de que o engenho de metal de complicadas combinações de engrenagens é um computador e um aparelho para a astronomia.
O mecanismo é composto por trinta engrenagens de bronze, feitas à mão, e organizadas de modo a representar mecanicamente a órbita da Lua e de outros planetas do Sistema Solar. Primitivamente teria sido protegido por uma caixa ou moldura de madeira, constituíndo-se no mais antigo computador analaógico hoje conhecido.
O artefato é notável porque empregava, já no séc. I a.C., uma engrenagem diferencial, que acreditava-se ter sido inventada apenas no séc. XVI, e pelo nível de miniaturização e complexidade de suas partes, comparável às de um relógio feito no século XVIII.
Pelo menos 20 engrenagens do mecanismo foram preservadas, inclusive um conjunto muito sofisticado de engrenagens que eram montadas excentricamente em uma plataforma giratória e provavelmente funcionaram como um tipo de sistema de engrenagens epicíclico ou diferencial. Seus mostradores [dials], rodas de engrenagem e discos inscritos apresentam ao historiador um problema atormentador. Por causa deles nós podemos ter que revisar muitas de nossas estimativas da ciência grega.
Nada como este instrumento está preservado em qualquer outro lugar. Nada comparável a ele é conhecido de qualquer texto científico antigo ou referência literária. Pelo contrário, de tudo que nós conhecemos da ciência e tecnologia na Era Helenística nós deveríamos ter achado que tal dispositivo não poderia existir.
Alguns historiadores sugeriram que os gregos não estavam interessados em experimentação por causa de um desprezo -- talvez induzido pela existência da instituição da escravidão -- pelo trabalho manual. Por outro lado é reconhecido há muito tempo que em matemática abstrata e em matemática astronômica eles não eram nada novatos mas mais próximos de "colegas de outra faculdade" que alcançaram grandes níveis de sofisticação. Muitos dos dispositivos científicos gregos conhecidos a nós de descrições escritas mostram muita engenhosidade matemática, mas em todos os casos a parte puramente mecânica do projeto parece relativamente primitiva. A engrenagem era claramente conhecida pelos gregos, mas era usada apenas em aplicações relativamente simples. Eles empregaram pares de engrenagens para mudar a velocidade angular ou a vantagem mecânica, ou para aplicar força através de um ângulo reto, como um moinho movido à água.
John Gleeve, um britânico fabricante de planetários, construiu uma réplica funcional do mecanismo. De acordo com sua reconstrução, o mostrador frontal mostra a progressão anual do Sol e da Lua através das constelações, contrário ao Calendário Egípcio. A parte superior traseira mostra um período de quatro anos e possui mostradores associados que apresentam o Ciclo Metônico de 235 meses sinódicos, que igualam a 19 anos solares. A parte inferior mostra esquemas do ciclo de um único mês sinódico, com um mostrador secundário mostrando o ano lunar de 12 meses sinódicos.
Outra reconstrução foi feita em 2002 por Michael Wright, engenheiro mecânico curador do Museu da Ciência de Londres, trabalhando com Allan Bromley. Ele analisou o mecanismo usando tomografia linear, a qual podia criar imagens de um plano focal mais direto e, então, visualizar as engrenagens em maiores detalhes. Na reconstrução de Wright, o aparelho não apenas modelava os movimentos do Sol e da Lua, mas de cada corpo celestial conhecido pelos gregos antigos: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Essa nova reconstrução deu crédito a antigas menções de tais aparelhos. Cícero, no séc. I a.C., menciona um instrumento "recém-construído por nosso amigo Posidonius, que, a cada revolução reproduz os mesmos movimentos do Sol, da Lua e dos cinco planetas". Tais aparelhos são mencionados em outros lugares também. Também dá crédito à idéia de que havia uma antiga tradição grega na tecnologia de mecânica complexa que foi transmitida pelo mundo árabe, onde aparelhos similares, porém mais simples, foram encontrados posteriormente, e poderiam ter sido entregues ou incorporados aos fabricantes de relógio e guindastes europeus. Alguns cientistas acreditam que os aparelhos não apenas foram utilizados para visualizar corpos celestiais, mas para calcular sua posição para eventos ou nascimentos.
Segundo Wright, curador de Engenharia Mecânica do Museu da Ciência de Londres, o aparelho operava como um computador. O usuário escolhia uma data e ele indicava a posição do Sol, da Lua e dos cinco planetas conhecidos: Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno, diz. Valdemar Setzer, professor da Universidade de São Paulo, explica que o mecanismo representa o universo com base nos epiciclos: um círculo cujo centro gira em torno de outro maior, que gira em torno da Terra. Mesmo com o princípio errado de que a Terra era o centro de tudo, a máquina era precisa no mapeamento dos astros que conheciam.
0 comentários:
Postar um comentário